Romance: Tentação da Serpente


Um olhar feminino sobre o Antigo Testamento.
Uma história de mulheres, para mulheres, de que os homens também gostam.

"Tentação da Serpente" é uma reedição de "O Romance da Bíblia", publicado em 2010.

10 agosto 2015

“Caçadores” de bruxas executam, à paulada, cinco mulheres na Índia

Na Índia a superstição reina sobre a lei. O governo tem tentado desde 2010 banir acusações de feitiçaria, assim como práticas relacionadas com o oculto, mas sem grande sucesso
HARISH TYAGI

Vários habitantes de uma vila no estado de Jharkand executaram cinco mulheres acusadas de feitiçaria. As autoridades indianas detiveram cerca de 24 “caçadores”

O último julgamento por feitiçaria no mundo ocidental foi realizado em 1944 em Inglaterra, mas noutras partes do mundo as acusações por feitiçaria são ainda lugar-comum. O caso mais recente ocorreu sexta-feira na Índia, numa vila junto à cidade de Ranchi, no estado de Jharkand, onde cinco mulheres foram arrastadas das suas cabanas e mortas à paulada.

“Um grupo de habitantes arrastou as mulheres e bateu-lhes até à morte com paus, acusando-as de praticar feitiçaria”, disse Arun Kumar, agente da polícia de Ranchi, depois de as autoridades locais terem capturado 24 homens que terão estado envolvidos nessas execuções.

O grupo terá usado armas afiadas e paus para agredir violentamente as mulheres, de idades entre os 45 e 50 anos. “Acusaram-nas de causarem doenças na vila e trazer azar à vila”, declarou o inspector da polícia Bandana Bakhla.

Um problema com raízes antigas

A Índia é um país onde o oculto e a superstição ainda fazem parte do quotidiano das populações rurais. Em julho, uma multidão no estado de Assam decapitou uma mulher por feitiçaria. No mesmo mês, um casal e os seus quatros filhos foram queimados vivos em Odisha, pelos mesmos motivos.
O governo da Índia tem tentado pôr fim a todo o tipo de práticas e rituais supersticiosos ou relacionados com o oculto, assim como julgamentos de feitiçaria, mas a população mais rural tem resistido à mudança.
Em 2013, o maior defensor e proponente de uma lei “antimagia negra”, Narendra Dabholkar, foi morto à porta de casa por ativistas que defendiam que a lei que procurava acabar com esses rituais ia contra a religião hindu.

A morte de Dabholkar levou o estado de Maharashtra a adoptar a medida em agosto de 2013, mas autoridades têm tido dificuldade em exercer a lei, devido ao enraizamento das práticas na cultura de muitos sectores da sociedade indiana.


Entre 2010 e 2012, o arquivo criminal da Índia registou cerca de 2100 casos em que pessoas foram mortas por alegada feitiçaria.

07 agosto 2015

Estado Islâmico tem lista com preços de meninas-escravas

A denúncia parte de uma responsável das Nações Unidas, Zainab Bangura, que afirmou ter visto uma cópia da listagem.
Estado Islâmico tem lista com preços de meninas-escravas
O auto-proclamado Estado Islâmico tem uma lista de meninas-escravas com os respectivos preços que faz circular entre os combatentes do grupo na Síria e no Iraque. Em Novembro do ano passado, a lista surgiu na Internet, mas, na altura, não foi possível confirmar a sua veracidade. Agora, Zainab Bangura diz que essa lista é real, afirmando que a viu durante uma viagem ao Iraque, em Abril.

Em declarações à Bloomberg, Bangura referiu que as meninas são vendidas "como barris de gasolina". "As meninas são levadas e trancadas em quartos ou casas, despidas e lavadas. Depois, são apresentadas aos clientes que decidem quanto elas valem", sublinhou, acrescentando que "os elementos do grupo chegam a fazer mercados para vender como escravas as meninas raptadas durante as ofensivas".

A responsável foi mais longe e explicou que as crianças com idade até aos nove anos são vendidas por cerca de 165 dólares, enquanto as adolescentes e as mulheres vão sendo vendidas por preços mais baixos. Na prática, quanto mais velha é a mulher, mais baixo é o seu preço.

Zainab Bangura visitou o Iraque e a Síria em Abril e desde então tem estado a trabalhar num plano de acção para abordar a horrível violência sexual levada a cabo por aquele grupo extremista. "Esta é uma guerra que está a ser travada no corpo das mulheres", denunciou a enviada da ONU para a violência sexual.

O rapto de meninas tornou-se uma parte estratégica do grupo Estado Islâmico para recrutar combatentes estrangeiros, que têm chegado ao Iraque e a Síria em número recorde nos últimos 18 meses.

"Com isto eles conseguem atrair jovens homens, porque dizem que têm mulheres virgens para eles se casarem", explicou, salientando que os combatentes estrangeiros são a espinha dorsal da luta.
Um relatório da ONU refere que quase 25 mil combatentes estrangeiros de 100 países estão envolvidos nos conflitos na Síria e no Iraque.

A enviada da ONU acusa o grupo extremista Estado Islâmico de práticas medievais no abuso de mulheres e meninas e que querem construir uma sociedade que reflita o século XIII.